Bonzinhos…
I should have known better. Há avisos por todos os lados. Sempre houve. Desde que lia as tirinhas do Minduim quando pequena deveria ter deduzido, pelo exemplo do Charlie Brown, que ser bonzinho não compensa. Pelo contrário, os bonzinhos sempre são vistos como losers. O motivo pelo qual eles insistem em ser bonzinhos está além da minha compreensão.
Bem, talvez não esteja. É que, infelizmente, me encaixo na categoria dos bonzinhos. Veja bem, bonzinho não quer dizer santinho. Lógico que tenho a minha cota de ‘maldades’, de ‘pecados’. Mas, no geral, sou boazinha. E muito. E SÓ me ferro. E sei exatamente porque os bonzinhos são bonzinhos: é a natureza deles. Sei que parece determinista, mas é isso que acontece. Não sei se o fato advém de uma carência afetiva extrema ou de alguma outra explicação retirada das páginas de Freud for dummies, o fato é que os bonzinhos gostam de ajudar. E costumam relevar muita coisa. E perdoam sempre.
E, tão certo quanto isso, é o prazer quase sádico que as outras pessoas têm em torturar os bonzinhos. Acho que nem sempre isso é consciente, nem sempre é proposital, mas o fato é que as pessoas parecem sempre querer testar o limite dos bonzinhos. É como se, tendo acidentalmente aberto uma ferida em alguém e visto que ele não reclamou, passassem a cutucá-la só para ver até onde ele iria agüentar antes de sair dando porrada. E esse limite, para a infelicidade dos bonzinhos, muitas vezes custa a ser atingido.
E você, pessoa normal, provavelmente está pensando que, se os bonzinhos são assim, talvez tenham tendências masoquistas. Talvez gostem de sofrer. Deve haver quem goste. Há louco para tudo nesse mundo. Sim, nós sabemos que esse nosso comportamento “estranho” vai nos trazer algum sofrimento. Mas isso parece um pequeno preço a pagar quando fazemos alguém feliz, especialmente se se trata de alguém que gostamos. O que queríamos, ou melhor, o que quero é que esse preço não se torne alto demais.
……..
E, depois de escrever isso, acabo de entender melhor (e logo, logo, relevar, perdoar, talvez até esquecer) certas coisas que me aconteceram. Mas acho que um limite foi atingido e a minha descrença, aumentada.