23
Dez
07

Californicação

Quando a Warner anunciou que exibiria a série Californication, fiquei curiosa em assisti-la por 2 motivos: um, o título, que remete não só a um tema de grande interesse para esta que vos escreve (e para os seres humanos em geral) como a um álbum/música do Red Hot Chilli Peppers (que, por sinal, está processando os criadores da série); dois, na qualidade fã de Arquivo X, ver como o eterno agente Mulder, David Duchovny, se saía na pele do protagonista.

Antes da estréia, fiz uma pesquisa básica na Internet para saber o que se falava da série e vi que as críticas eram, em sua grande maioria, favoráveis. “A salvação de Fox Mulder? Bom, muito bom“, pensei eu. Mas quando finalmente vi um episódio, bem… não achei grande coisa. Não que a série seja ruim, só não consigo ver nada demais nela. O mesmo aconteceu com Sex and the city, que muita gente adora. Talvez eu apenas não veja nada demais em se falar abertamente sobre sexo e isso tenha tirado parte do encanto dessas séries para mim. Vai saber.

Enfim, voltando a Californication, a primeira constatação que pude fazer foi que Hank Moody (o protagonista) é a versão perva de Fox Mulder – leia-se, David Duchovny interpreta o mesmo personagem over and over again. Da mesma forma como Mulder não conseguia deixar de buscar a “verdade que estava lá fora”, Moody não consegue deixar de se entregar ao sexo, ao vício – quando ele não os procura voluntariamente, eles vão até ele, que nunca consegue oferecer muita resistência. Assim, tanto Moody quanto Mulder assemelham-se aos personagens trágicos, que não podem fugir de seu destino.

A outra constatação ocorreu quase que simultaneamente à primeira: Hank Moody é a versão fictícia de um amigo (???) meu!!! É sério!!! Senão, vejamos: escritor de talento vê sua obra reconhecida e angaria fãs, especialmente mulheres; inebria-se com o sucesso, potencializa o seu egocentrismo, decide que pode fazer o que bem entender sem se preocupar com mais ninguém, magoa as pessoas que realmente se importavam com ele e acaba cercado apenas por bajuladores. Vê a sua obra ser ‘mal-interpretada’ (ou não interpretada da forma que ele gostaria) e acaba entrando em crise criativa, dificilmente escrevendo algo que sequer se aproxime da qualidade de sua obra anterior. No entanto, apesar de posar como um Sade contemporâneo, alguém que não teme o desejo, ele no fundo, no fundo é conservador e busca reconstruir o seu núcleo familiar.

Porém, dada a grande improbabilidade estatística de que Hollywood tenha ouvido falar desse meu amigo, cheguei à seguinte conclusão: meu amigo é um personagem chavão!!! Isso não é uma crítica, acho que todos nós somos ‘clichês’ ambulantes – isso explica porque nos identificamos uns com os outros, com certas situações e experiências e mesmo com certos filmes, certos livros: somos uma combinação singular de lugares comuns. Acho que o ‘problema’ dele é se achar a última Coca-Cola do deserto, mas enquanto houver gente que acredita nisso, ele vai se dar bem ;)

Para finalizar, minha nota para Californication: 7,0. Legalzinha.


2 Respostas para “Californicação”


  1. 24/Dezembro/2007 às 13:31

    Cintia, acho que conseguimos encontrar uma boa identificação musical (apesar do Nirvana), visto que acho “Red Hot Chilli Peppers” uma banda genial. Desejo um ótimo 2008 para você!

  2. 2 Alessandro
    29/Dezembro/2007 às 12:17

    Cintia,
    Entrei no teu site a partir de uma busca sobre exibicionismo e voyeurismo. Adorei o blog em gênero, número e grau de perversão. Interessante o seu comentário sobre Californication, que eu particularmente gosto muito. Mas se está procurando algo realmente inovador em termos de dramaturgia e questões relacionadas a sexo, veja Tell Me You Love Me. Demora um pouco para “pegar”, mas quando engrena – lá pelo terceiro episódio – fica bom demais. Espero um dia te encontrar nas salas de bate papo por tema específico. Também faço esses passeios e, a bem da verdade, concordo contigo: há vida inteligente, sim, mas vida inteligente também pode ser ruim da cabeça.
    bjs e boa entrada…


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