Desígnios & Desejos

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Cartinha pro PA

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Caro Pau “Amigo”,

Sim, amigo é modo de falar, porque de amizade mesmo, entre nós, não há nada. Eu até tentei, mas, assim, já não sou boa de conversa e com respostas do tipo “só”, “beleza” e “ok, baby”, não rola diálogo.

Mas, fora isso, você até que é um cara legal e de vez em quando me lembro de você. Não se vanglorie, lembro-me com carinho de muitas pessoas. Não é que você não tenha feito nada para merecer isso, mas é que não é preciso fazer muito.

Só que hoje sonhei que você tinha morrido e fiquei angustiada – minha vidinha continuaria “business as usual” se isso fosse verdade, mas percebi que me entristeceria bastante.

Não se preocupe em dar notícias – por vias indiretas, já me garanti do seu bem-estar. Escrevo apenas para que você saiba que, caso venha a bater as botas, há pessoas que ficariam verdadeiramente chateadas com isso.

Escrito por Cintia

25/Outubro/2009 em 23:44

Publicado em desígnios, missivas

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Nabutka

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Achava uma hipocrisia essa história toda, mas não deixaria de atender a um pedido de um velho moribundo. O seu velho.

Todos saíram quando entrou. Aproximou-se da cama com os olhos fixos no chão, tentando adiar ao máximo o momento no qual teria que olhar para a figura decadente e debilitada de seu pai.

“Este é o momento em que todos fazem as pazes e tudo fica bem nos filmes”, pensou ele, contendo as lágrimas. Ergueu a cabeça e viu que o velho observava-o com aprovação. Deviam ser as roupas, sóbrias.

Sentou-se na cadeira ao lado da cama. Parecia que o velho queria dizer algo.

- Nab…

- Como?

- Nabutka – repetiu o velho, quase inaudível.

- Babooshka!?

- Nabutka! – disse o velho com mais vigor, segurando seu braço firmemente.

- Ah, sim, Nabutka, papai – e o velho se foi. Para sempre.

Passou a semana seguinte inteirinha tentando descobrir, sem sucesso, o significado da única palavra que seu pai lhe dissera em mais de 30 anos. “Eu te amo” em sânscrito, talvez…

- O senhor pode contestar o testamento, se desejar – disse o advogado. Mas não era surpresa o velho não ter lhe deixado nada, além de uma caixa com fotografias e outras recordações de sua infância. Do tempo em que eram uma família. Talvez “nabutka” significasse “deserdado” em árabe.

- Não tenho interesse – respondeu ele, olhando para a madrasta, que pareceu pouco aliviada. É, o patrimônio do velho evaporou-se com os anos. E se ela não sabia o quanto custavam jóias, viagens e cirurgias plásticas não era problema dele. Ela era jovem o suficiente para arrumar outro marido.

Foi para casa a pé, abraçado à caixa de papelão. Seu tesouro. Ao abri-la, encontrou, emoldurada, uma aquarela que tinha pintado no jardim da infância para o dia das pais.

- Ah, papai, seu velho bobo… – disse para si mesmo, enquanto enxugava as lágrimas e tirava o pó do quadro.

Talvez “nabutka” fosse… fosse… NABUTKA PORTA-RETRATOS E MOLDURAS!!!

Com cuidado, removeu o fundo do quadro, encontrando um envelope com uma chave e um cartão com o endereço de uma agência bancária e o número do cofre.

- Papai, seu velho bobo! – gritou ele, rindo muito ao lembrar da cara de sua madrasta algumas horas atrás.

Finalmente, o “Dancing Queer Night Club” ia sair do papel.

Balançou a cabeça, deixando seu sonho de lado por um instante. Agora era hora de preparar o jantar e se arrumar. Logo seu homem estaria em casa.

—-

(c) Cintia BL

Escrito por Cintia

19/Setembro/2009 em 15:15

Publicado em contos

Autoajuda para solteiros deprimidos

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“Sofro” (atentem às aspas), como muitos, de solteirice crônica. Não sou daquelas pessoas que vez ou outra estão solteiras. Sou do tipo que está sempre solteira. O tipo que as pessoas desconfiam que é virgem ou lésbica. Em suma, sou do tipo que fica deprimida no dia dos namorados. Ou não.

Não sei se minha dor de cotovelo se repetirá em datas comemorativas futuras, mas o fato é que ontem, dia dos namorados em Bundalândia, eu estava num bom humor incrível. Até fui almoçar sozinha no shopping e nem me irritei pela abundância de casaizinhos apaixonados. Paquerei uns livros na megastore local, depois fui andar pela Paulista, apreciei parte da exposição sobre o Serge Gainsbourg, saboreei um Mocha na Starsucks mais próxima. Voltei pra casa e até fiz planos de uma baladeeenha, que acabou não dando certo. Enviei um conto pra publicação em uma revista, comprei livros pela Internet e terminei a noite prometendo fazer um post de autoajuda pra encalhados solteiros deprimidos – sim, este post que você está lendo agora.

Vamos, então, às epifanias que me levaram a ter um dia dos namorados feliz, apesar de estar encalhada solteira.

1. Você está sem namorado(a) porque quer.

Sempre me recusei a acreditar nisso. Justo eu, que queria tanto dormir juntinho só pra poder esquentar meus pés no inverno e acordar com um pau duro roçando na minha bunda todas as manhãs? Claro que quero namorar, certo? Conscientemente, sim. Mas para ter uma nova pessoa na minha vida preciso resolver uma série de “pendências” emocionais – relacionamentos familiares, organizar meu tempo, minha casa, eu mesma … enfim, preciso criar um espaço pra esse namorado na minha vida. Coisa que, inconscientemente,  eu não estava disposta a fazer. E não sei se já estou. O fato é que sei – e assumo – que a solteirice é, principalmente, uma escolha minha e que posso revertê-la – e isso me deixa infinitamente mais feliz.

2. Mime-se

Não tem ninguém para paparicar? Paparique a si mesmo(a), oras! Aproveite que você não precisa reservar uma grana só para sair com/presentear seu “docinho de coco” (coloquem o acento na sílaba de sua preferência) e jante num lugar bacana, compre aquele livro importado que você tanto queria ou gaste os tufos com um sapato que não combina com nada. Isso faz a gente se sentir tão bem – mesmo quando estamos pagando a conta!

2.1 Masturbe-se

Desdobramento da 2, já que pode ser considerado um mimo sexual. Foi como comecei o dia ontem. É extremamente relaxante e faz um bem danado.

3. Saia para se divertir

Nada de sair pra ficar “caçando”. O negócio é sair por pura diversão. Pela companhia dos amigos. Para rir. Para beber. Fiz isso nas últimas semanas, vou fazer hoje de novo. E se aparecer algum ficante e você quiser companhia, fique – mas sem neuras. O objetivo é relaxar e não aumentar a tensão.

4. Faça planos não-românticos e execute-os

Estou cheia de planos e projetos acadêmicos, profissionais, literários e estou me dedicando à sua execução. Pode ser que eu não tenha êxito em todos, mas cada um deles que dá certo, me deixa cheia de satisfação. O que significa aumento da autoestima. E pessoas com autoestima elevada brilham – como “comprova” a literatura de autoajuda por aí.

E se vocês acharam as dicas acima válidas, está mais do que na hora de devolver o Santo Antônio pro altar de onde vocês o roubaram.

Escrito por Cintia

13/Junho/2009 em 14:51

Publicado em crônica, desejo, desígnios, humor, sacanagem

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Meu deus está nu!

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nakedmozz

Encarte do mais novo single do Morrissey (meu ídalo!!!), “I’m throwing my arms around Paris”.

Tô pensando em usar essa foto como papel de parede do meu PC.

Particularmente, acho que o tio Morrissey ‘tá bem pegável ;)

Escrito por Cintia

03/Fevereiro/2009 em 14:55

Publicado em desejo, sacanagem

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I’m back!!!

com 4 comentários

Sim, sim… voltei a ter Internet em casa! Não que isso signifique que vou postar todos os dias, mas tentarei manter a freqüência de um post por mês, pelo menos.

Este ano tive altas crises existenciais, mas acho que estou conseguindo me reencontrar. E, apesar de este não ser um post “balanço de fim de ano/metas de ano novo”, pretendo começar o ano no rumo certo.

Para começar, posso dizer que já me livrei de uma certa “tralha emocional” que me atrapalhava a vida. Devo admitir que ele me trouxe coisas boas, sim, mas eu paguei *muito bem* por isso.

Agora vou me concentrar em conseguir as coisas que *eu* quero – e talvez isso renda algumas historinhas boas aqui pro blog ;)

Bom, por enquanto é só, pessoal. Tenho uma historinha de sacanagem pra contar que está de molho há uns 6 meses, mas vocês vão ter que esperar mais um pouquinho…

Escrito por Cintia

07/Dezembro/2008 em 17:49

Publicado em reflexões

Away

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Este post é só pra avisar que estou sem Internet em casa há um mês e que não sei quando terei conexão novamente… Assim, os posts deste blog, que já eram pouco freqüentes, ficarão ainda mais escassos. E também minhas visitas aos blogs de vocês.

Quem quiser, pode me acompanhar no twitter: http://twitter.com/cintiabl . Como lá os posts têm, no máximo, 140 caracteres, é mais rápido e fácil para escrever de um cyber ou da casa dos parentes ;)

Mas não se acostumem: logo, logo eu volto para atazanar todos vocês >:)

Escrito por Cintia

25/Julho/2008 em 11:39

Publicado em desígnios, metablog

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Falando a linguagem das mulheres…

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Retirado do Language Log. Clique na imagem para ampliar.

Escrito por Cintia

01/Junho/2008 em 10:13

Rocco

com 5 comentários

- Minha empresa vai me mandar pra Itália mês que vem.
- Ah… legal.
- Penso em visitar algumas coisas no meu tempo livre… O Coliseu, o Vaticano… Já pensou, conhecer o Papa?
- O Papa?!
- É!
- Se eu fosse pra Itália, ia querer conhecer o Rocco…
- Quem?
- Rocco Siffredi, ator pornô italiano, 23 cm de pau.
- Mas cê num precisa ir pra Itália pra dar prum cara de pau grande.
- Mas quem foi que disse que eu quero dar pra ele?
- E quer fazer o quê, então? Pedir autógrafo?
- É, pedir autógrafo, tirar foto, quem sabe pegar no pau dele…
- E…?
- E só, ué!
- Bom, se eu conhecesse uma atriz pornô, ia querer transar com ela…
- Tá certo…
- Então por que o sorrisinho cínico?
- Ah, é que se eu fosse homem, nunca ia querer comer uma mulher que não umidifica!

Escrito por Cintia

11/Maio/2008 em 14:17

O que te seduz?

com 8 comentários

Estou fazendo uma pesquisa, queridos, com fins escusos, claro.  Gostaria que vocês me dissessem o que os seduz.

Não estou falando propriamente do que os levaria para a cama, mas daquilo que os faz entrar no jogo de gato-e-rato da conquista.

Deixem suas respostas nos comentários. Publica ou anonimamente ;)

Escrito por Cintia

02/Maio/2008 em 14:41

Publicado em desejo, sacanagem

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Fazendo as pazes com o decote

com 6 comentários

Tenho um belo colo. Gosto de mostrá-lo e isso norteia algumas de minhas escolhas de roupa. Tenho uma blusinha preta que, à primeira vista, não parece tão decotada, mas quando eu sento… pois é.

Mas a verdade é que ainda não me sinto confortável com os decotes no dia-a-dia, porque não estou acostumada com homens me olhando. E eles estão olhando cada vez mais – mesmo sem decote. Não me entendam mal, eu gosto, mas sou tímida. E não é frescura.

Como emagreci muito (mas não o suficiente, ainda) e perdi 70% das minhas roupas, restam poucas peças que ficam bem em mim. Uma delas é a blusinha preta. Usei-a na última sexta para ir à aula. Como sento na primeira fileira, uma das primeiras coisas que fiz foi subir um pouco a blusa. Mas a aula começa, faço anotações e… oops, ora de ajeitar a blusa de novo. À tarde, outra aula. Nessa sala, sento mais pro fundo e aí nem estava esquentando muito com o decote. Mas logo um rapaz que sentou perto de mim abre um sorriso. Ok, Cintia, sobe um pouco a blusa.

Hora de pegar o ônibus para ir embora. A maioria dos lugares estão ocupados, então sento na última fileira de bancos do ônibus, naquele banco que fica de frente para o corredor. Enfim, do meu lado direito, estavam sentados uma garota japonesa e um outro menino do lado da janela. No banco na frente do dela, estavam sentados um japonês e uma outra pessoa, do lado da janela, sendo que o japonês era amigo da garota do banco de trás. Poucos minutos depois que eu sentei, o japinha senta de lado e começa a conversar com a amiga dele. Não olhei direto para ele, mas, pelo canto do olho, podia vê-lo olhando para mim. Abracei a sacola onde levo meu material, de modo a ocultar o decote. Logo olho para baixo e vejo que a sacola não só desceu um pouco, como a blusa também. Subo a sacola de novo. Mas o rapaz é persistente e, agora, está dividindo o mp3 player com a amiga dele. Ah, Cintia, o que é que tem? Nada demais, acho… Então…

E, assim, fiz as pazes com o meu decote – com o do momento e com os futuros. Não que isso vá me impedir de dar uma ajeitadinha neles de vez em quando ;)


Escrito por Cintia

31/Março/2008 em 8:33

Publicado em crônica, desejo

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