Archive for the ‘desígnios’ Category
Cartinha pro PA
Caro Pau “Amigo”,
Sim, amigo é modo de falar, porque de amizade mesmo, entre nós, não há nada. Eu até tentei, mas, assim, já não sou boa de conversa e com respostas do tipo “só”, “beleza” e “ok, baby”, não rola diálogo.
Mas, fora isso, você até que é um cara legal e de vez em quando me lembro de você. Não se vanglorie, lembro-me com carinho de muitas pessoas. Não é que você não tenha feito nada para merecer isso, mas é que não é preciso fazer muito.
Só que hoje sonhei que você tinha morrido e fiquei angustiada – minha vidinha continuaria “business as usual” se isso fosse verdade, mas percebi que me entristeceria bastante.
Não se preocupe em dar notícias – por vias indiretas, já me garanti do seu bem-estar. Escrevo apenas para que você saiba que, caso venha a bater as botas, há pessoas que ficariam verdadeiramente chateadas com isso.
Autoajuda para solteiros deprimidos
“Sofro” (atentem às aspas), como muitos, de solteirice crônica. Não sou daquelas pessoas que vez ou outra estão solteiras. Sou do tipo que está sempre solteira. O tipo que as pessoas desconfiam que é virgem ou lésbica. Em suma, sou do tipo que fica deprimida no dia dos namorados. Ou não.
Não sei se minha dor de cotovelo se repetirá em datas comemorativas futuras, mas o fato é que ontem, dia dos namorados em Bundalândia, eu estava num bom humor incrível. Até fui almoçar sozinha no shopping e nem me irritei pela abundância de casaizinhos apaixonados. Paquerei uns livros na megastore local, depois fui andar pela Paulista, apreciei parte da exposição sobre o Serge Gainsbourg, saboreei um Mocha na Starsucks mais próxima. Voltei pra casa e até fiz planos de uma baladeeenha, que acabou não dando certo. Enviei um conto pra publicação em uma revista, comprei livros pela Internet e terminei a noite prometendo fazer um post de autoajuda pra encalhados solteiros deprimidos – sim, este post que você está lendo agora.
Vamos, então, às epifanias que me levaram a ter um dia dos namorados feliz, apesar de estar encalhada solteira.
1. Você está sem namorado(a) porque quer.
Sempre me recusei a acreditar nisso. Justo eu, que queria tanto dormir juntinho só pra poder esquentar meus pés no inverno e acordar com um pau duro roçando na minha bunda todas as manhãs? Claro que quero namorar, certo? Conscientemente, sim. Mas para ter uma nova pessoa na minha vida preciso resolver uma série de “pendências” emocionais – relacionamentos familiares, organizar meu tempo, minha casa, eu mesma … enfim, preciso criar um espaço pra esse namorado na minha vida. Coisa que, inconscientemente, eu não estava disposta a fazer. E não sei se já estou. O fato é que sei – e assumo – que a solteirice é, principalmente, uma escolha minha e que posso revertê-la – e isso me deixa infinitamente mais feliz.
2. Mime-se
Não tem ninguém para paparicar? Paparique a si mesmo(a), oras! Aproveite que você não precisa reservar uma grana só para sair com/presentear seu “docinho de coco” (coloquem o acento na sílaba de sua preferência) e jante num lugar bacana, compre aquele livro importado que você tanto queria ou gaste os tufos com um sapato que não combina com nada. Isso faz a gente se sentir tão bem – mesmo quando estamos pagando a conta!
2.1 Masturbe-se
Desdobramento da 2, já que pode ser considerado um mimo sexual. Foi como comecei o dia ontem. É extremamente relaxante e faz um bem danado.
3. Saia para se divertir
Nada de sair pra ficar “caçando”. O negócio é sair por pura diversão. Pela companhia dos amigos. Para rir. Para beber. Fiz isso nas últimas semanas, vou fazer hoje de novo. E se aparecer algum ficante e você quiser companhia, fique – mas sem neuras. O objetivo é relaxar e não aumentar a tensão.
4. Faça planos não-românticos e execute-os
Estou cheia de planos e projetos acadêmicos, profissionais, literários e estou me dedicando à sua execução. Pode ser que eu não tenha êxito em todos, mas cada um deles que dá certo, me deixa cheia de satisfação. O que significa aumento da autoestima. E pessoas com autoestima elevada brilham – como “comprova” a literatura de autoajuda por aí.
E se vocês acharam as dicas acima válidas, está mais do que na hora de devolver o Santo Antônio pro altar de onde vocês o roubaram.
Away
Este post é só pra avisar que estou sem Internet em casa há um mês e que não sei quando terei conexão novamente… Assim, os posts deste blog, que já eram pouco freqüentes, ficarão ainda mais escassos. E também minhas visitas aos blogs de vocês.
Quem quiser, pode me acompanhar no twitter: http://twitter.com/cintiabl . Como lá os posts têm, no máximo, 140 caracteres, é mais rápido e fácil para escrever de um cyber ou da casa dos parentes
Mas não se acostumem: logo, logo eu volto para atazanar todos vocês >:)
Bonzinhos…
I should have known better. Há avisos por todos os lados. Sempre houve. Desde que lia as tirinhas do Minduim quando pequena deveria ter deduzido, pelo exemplo do Charlie Brown, que ser bonzinho não compensa. Pelo contrário, os bonzinhos sempre são vistos como losers. O motivo pelo qual eles insistem em ser bonzinhos está além da minha compreensão.
Bem, talvez não esteja. É que, infelizmente, me encaixo na categoria dos bonzinhos. Veja bem, bonzinho não quer dizer santinho. Lógico que tenho a minha cota de ‘maldades’, de ‘pecados’. Mas, no geral, sou boazinha. E muito. E SÓ me ferro. E sei exatamente porque os bonzinhos são bonzinhos: é a natureza deles. Sei que parece determinista, mas é isso que acontece. Não sei se o fato advém de uma carência afetiva extrema ou de alguma outra explicação retirada das páginas de Freud for dummies, o fato é que os bonzinhos gostam de ajudar. E costumam relevar muita coisa. E perdoam sempre.
E, tão certo quanto isso, é o prazer quase sádico que as outras pessoas têm em torturar os bonzinhos. Acho que nem sempre isso é consciente, nem sempre é proposital, mas o fato é que as pessoas parecem sempre querer testar o limite dos bonzinhos. É como se, tendo acidentalmente aberto uma ferida em alguém e visto que ele não reclamou, passassem a cutucá-la só para ver até onde ele iria agüentar antes de sair dando porrada. E esse limite, para a infelicidade dos bonzinhos, muitas vezes custa a ser atingido.
E você, pessoa normal, provavelmente está pensando que, se os bonzinhos são assim, talvez tenham tendências masoquistas. Talvez gostem de sofrer. Deve haver quem goste. Há louco para tudo nesse mundo. Sim, nós sabemos que esse nosso comportamento “estranho” vai nos trazer algum sofrimento. Mas isso parece um pequeno preço a pagar quando fazemos alguém feliz, especialmente se se trata de alguém que gostamos. O que queríamos, ou melhor, o que quero é que esse preço não se torne alto demais.
……..
E, depois de escrever isso, acabo de entender melhor (e logo, logo, relevar, perdoar, talvez até esquecer) certas coisas que me aconteceram. Mas acho que um limite foi atingido e a minha descrença, aumentada.
Angústia
Às vezes eu me odeio. Não, muitas vezes eu me odeio, por fazer coisas imbecis, saber disso e não conseguir evitá-las. Sexta-feira tive um episódio desses. Eu tinha aula de manhã e saí de casa com a devida antecedência, mas o ônibus atrasou e o trânsito estava uma merda. Acho que cheguei na porta da sala onde teria aula com uns 10 minutos de atraso. Mas a sala já estava cheia e eu não conseguiria entrar sem atrapalhar um pouco a aula – talvez até tivesse que pegar uma cadeira em outra sala, sei lá. E eu não consegui entrar. Travei só de imaginar os 2, 3 minutos de atenção indesejada que teria. E uma angústia sufocante me cobriu enquanto me arrastava até o ponto de ônibus, detestando a estupidez do que acabara de fazer. O mesmo ônibus com que vim voltava agora, mas não o peguei só de raiva, culpando o motorista pelo atraso. E quando, por fim, peguei um ônibus, deixei-me afundar no banco e me permiti conter as lágrimas pelo tempo perdido. Sometimes life sucks.